Sempre quis fazer um post sobre amamentação! Acho que minha
experiência com o assunto pode ajudar alguém que esteja sofrendo com a culpa, a
vontade de desistir ou simplesmente com a chatice do começo e também deixar
registrado todo o caminho sinuoso que eu percorri.
Vamos começar ao contrário, o desmame. Desmamei a Lara mais ou
menos um mês atrás. Na consulta de 9 meses nossa médica liberou o leite de
vaca, alegou que a Lara estava com o desenvolvimento excelente e que não havia
necessidade, no caso dela, de esperar até 1 ano. Com 11 meses resolvi
introduzir o leite, troquei o iogurte da tarde pelo leite durante uma semana,
depois voltei com o iogurte a tarde e passei o leite para mamada da manhã.
Tinha intenção de manter desse jeito mais umas duas semanas e depois tirar a
última mamada que era da noite e assim ela estaria desmamada, mas quando tirei
a mamada da manhã 4 dias depois o suprimento da noite ficou muito baixo e
acabei dando a mamadeira a noite também. Enfim se desmamou de uma vez. Foi
tranquilo e não tive nenhum sentimento de perda com isso. Meu peito ficou meio
estranho nos primeiros dias, mas 2 semanas depois estava vazio. Fiquei muito
feliz de ter conseguido amamentar até quase 1 ano e acho que todo o lance do
vinculo estava mais do que estabelecido entre a gente. Respeito quem
decide pela amamentação prolongada, mas nunca achei que isso era para
mim.
Agora vamos ao começo. Esse relato que segue aí em baixo eu
escrevi meses atrás em um portal sobre maternidade. Eles falavam sobre
diferentes experiências na amamentação. Eu lembro o quanto eu procurei auxilio
e informação no começo e achei que era hora de dar minha contribuição.
"Tenho uma filha
de 9 meses que ainda mama no peito. Lendo todas as histórias sobre amamentação
senti que deveria contar a minha, pois acredito que pode ajudar alguém. Minha
filha nasceu no Canadá e aqui a política de amamentação é um pouco diferente do
Brasil. Eles estimulam a amamentação, mas deixam a mãe muito livre e sem culpa
se precisar partir para a fórmula se for o caso. O maior entrave na amamentação
é que não é comum as mulheres amamentarem em público, apesar de ser um direito
da mulher amparado por lei, o que torna a vida das mães nos primeiros meses
muito complicada. Então acaba que o discurso é um, mas na prática se você não
quiser ficar presa dentro de casa até o sexto mês do bebê para amamentar
exclusivamente no peito, precisa se virar.Mas vamos a história da amamentação
que é o que interessa. Minha filha nasceu com peso normal (3,420 kilos) e nos
primeiros 5 dias meu leite não desceu e senti muita dor e dificuldade para
aprender a pegada que o bebê deveria fazer no peito. Como precisei fazer uma
cesárea era normal o leite demorar para descer, mas com isso minha filha começoui
a perder peso acima da média nos primeiros dias no hospital. As enfermeiras me
auxiliaram muito e me ensinaram a amamentar usando a sonda de translactação.
Usava um tubo de fórmula colado entre os seios e enquanto minha bebê estimulava
o seio sugando o bico, o leite da fórmula vinha pelo tubinho. Depois dos 5 dias
de fato o leite chegou e pude me desfazer da sonda, o que foi um alívio.Depois
disso, apesar de ter bastante leite, sofri muito com dores nos bicos dos seios,
acho que minha filha não acertava a pegada porque meu seio era muito plano, o
que dificultava, mas não impedia de amamentar, mas toda hora das mamadas era um
inferno. Eu sofria e dizia a mim mesma, vou suportar até ela completar dois
meses e se continuar assim eu paro depois deste prazo. Foi quando, por
indicação de algumas pessoas, descobri um bico de silicone da marca Medela que
mudou minha vida. Ela passou a mamar do mesmo jeito com o bico, mas sem me
machucar a partir de então. Passei meses me sentindo mal por usar o bico e
vivia ameaçando tirar, pois tudo que eu lia me dizia que o bico só deveria ser
usado por um tempo para o bebê aprender a péga, mas depois de 3 meses mamando
com o bico minha filha não queria mais saber de mamar direto no peito. Nos
consultas médicas ela sempre esteve acima da média de peso e tamanho para
idade, o que me deixava mais segura para continuar com bico sem
stress. Hoje ela ainda mama no peito com o bico de silicone, sempre
ordenhei leite e dei na mamadeira para que pudessemos sair, usa chupeta e não
desmamou e está super bem. Acho que os profissionais de saúde tem obrigação de
estimular a amamentação e mostrar os melhores caminhos para isso, como não usar
mamadeira ou dar chupeta, mas minha história é um dos casos que mostram que o
caminho certo e a mãe e o bebê quem vão encontrando juntos. Sem culpa e sem
cobrança."
Agora o papai que já faz tudo ajuda nessa hora também!
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